Biografia

Nascido em Frederico Westphaelen, no Rio Grande do Sul, Nilto Tatto, ainda criança, migrou para Corbélia, no Paraná, onde viveu até a adolescência, ajudando a família em uma pequena propriedade rural.

Em 1978, com 14 anos de idade, veio com a família para Capela do Socorro, periferia da região Sul de São Paulo e ingressou na Pastoral da Juventude por meio das Comunidades Eclesiais de Base.

Esse foi o berço de sua atuação nos movimentos sociais em defesa da saúde, educação, moradia, transportes, cultura, meio ambiente, direitos humanos, dentre outros.

A intensa atuação social aproximou Nilto Tatto, das lutas sindicais do final dos anos 1970 e início da década de 1980, e o levou a ingressar no Partido dos Trabalhadores (PT), onde se transformou numa das principais referências na área socioambiental.

Nilto foi líder estudantil no início da década de 1980, período em que cursou Estudos Sociais na Faculdade Osec. Lecionou na rede pública e se especializou em Administração para Organizações Não Governamentais na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Entre 1983 e 1994, administrou o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Instituição que assessorava o movimento de trabalhadores do campo, operário, indígena e de educação popular.

No Cedi atuou na capacitação administrativa para o Conselho Nacional dos Seringueiros em Rio Branco (AC), na época liderado por Chico Mendes, e para a União das Nações Indígenas em São Paulo e no Acre, liderado por Ailton Krenak.

Em 1987, ajudou a fundar a Espaço de Formação Assessoria e Documentação, organização da sociedade civil, localizada no bairro Cidade Dutra, com atuação na área de educação e meio ambiente. Na Espaço atuou até 1994 como voluntário e assessorou diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova-SP), ajudando a implementar vários núcleos de alfabetização na zona Sul de São Paulo. Articulou também diversas iniciativas em defesa dos mananciais de São Paulo.

Com o encerramento das atividades do CEDI, em 1994, participou da fundação do Instituto Socioambiental (ISA), do qual foi secretário executivo a partir de 1999. Também coordenou ações e projetos de assessoria e capacitação em gestão administrativa para diversas organizações indígenas como a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) com sede em São Gabriel da Cachoeira (AM), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab),  e a Associação Terra Indígena do Xingu (Atix).

Entre 1999 e 2001, coordenou o  Projeto de Manejo Florestal Xikrin do Cateté desenvolvido pelo  ISA com os índios Xicrin do Cateté, no município de Paraupebas (PA), tendo sido o primeiro projeto de manejo florestal em Terra Indígena no Brasil.

Em 2004, passou a coordenar o Programa Vale do Ribeira do ISA – cargo que ocupou até março de 2014 – Nilto Tatto enfrentou o desafio de dar visibilidade à luta das comunidades quilombolas e de articular a implantação de políticas voltadas à manutenção da rica diversidade da região que possuí menor IDH do Estado.

Em 2009, Nilto Tatto recebeu o Prêmio Dorothy Stang de Direitos Humanos, na categoria humanidade por sua atuação em projetos de alternativas econômicas sustentáveis e geração de renda junto às comunidades quilombolas no Vale do Ribeira.

 Ao longo de sua trajetória, ministrou palestras em diversas partes do Brasil, Europa, África e América Central e Estados Unidos, tendo também, atuado junto a comunidades tradicionais de Angola.

A experiência da atuação na sociedade civil nos dá a certeza de que Nilto Tatto na Câmara Federal contribuirá para avançarmos em direção a um Brasil mais justo e sustentável.